Dr. Leonardo Castaldi

Cirurgia Micrográfica de Mohs

Câncer de pele: um panorama inicial

O câncer de pele é o tipo de câncer mais frequente no mundo. Ele se origina a partir das células da pele, geralmente após exposição crônica ou intensa à radiação ultravioleta (UV), seja do sol ou de fontes artificiais.
Entre os principais tipos estão o carcinoma basocelular, o carcinoma espinocelular e o melanoma. Os dois primeiros, chamados de não melanoma, costumam ter crescimento lento, mas podem causar destruição local importante se não tratados adequadamente. O melanoma é menos comum, porém mais agressivo.

O diagnóstico precoce é fundamental para permitir tratamentos menos invasivos, com maiores chances de cura e melhores resultados funcionais e estéticos.


O que é a cirurgia micrográfica de Mohs?

A cirurgia micrográfica de Mohs é uma técnica cirúrgica altamente especializada para o tratamento de alguns tipos de câncer de pele. Ela se diferencia das cirurgias convencionais porque permite a análise microscópica de 100% das margens cirúrgicas, em tempo real, durante o próprio procedimento.

Isso significa que o tumor é removido camada por camada, e cada camada é imediatamente examinada ao microscópio. Caso ainda existam células tumorais, apenas a área onde elas estão presentes é novamente retirada, preservando ao máximo a pele sadia.


Principais indicações da cirurgia de Mohs

A técnica é especialmente indicada nos seguintes cenários:

  • Carcinoma basocelular e carcinoma espinocelular
  • Tumores localizados em áreas nobres e visíveis, como:
    • Nariz
    • Pálpebras
    • Lábios
    • Orelhas
    • Face e couro cabeludo
  • Tumores recorrentes (que já foram tratados e voltaram)
  • Lesões com limites mal definidos
  • Tumores agressivos ou com crescimento infiltrativo
  • Pacientes em que a preservação máxima de tecido é essencial

Como funciona a técnica, na prática?

  1. Remoção da primeira camada do tumor, com anestesia local
  2. Mapeamento preciso da peça cirúrgica
  3. Análise microscópica imediata das margens
  4. Nova retirada apenas onde ainda há tumor, se necessário
  5. Repetição do processo até que não haja mais células cancerígenas
  6. Reconstrução da área operada, no mesmo ato ou em um segundo tempo, dependendo do caso

Esse método garante um controle oncológico extremamente preciso.


Benefícios da cirurgia micrográfica de Mohs

  • Maior taxa de cura disponível, chegando a mais de 99% em alguns tipos de câncer de pele
  • Preservação máxima de tecido saudável
  • Melhores resultados estéticos e funcionais
  • Menor chance de recidiva
  • Tratamento definitivo em um único dia, na maioria dos casos

Riscos e possíveis complicações

Como qualquer procedimento cirúrgico, a cirurgia de Mohs pode apresentar riscos, embora sejam pouco frequentes:

  • Sangramento
  • Infecção
  • Dor local leve a moderada
  • Alterações temporárias de sensibilidade
  • Formação de cicatriz (geralmente menor e mais discreta)

Esses riscos são reduzidos quando o procedimento é realizado por um cirurgião oncológico treinado na técnica.


Prós e contras da cirurgia de Mohs

✅ Prós

  • Maior precisão no tratamento
  • Menor remoção de pele saudável
  • Excelente controle oncológico
  • Ótimos resultados estéticos

⚠️ Contras

  • Procedimento mais longo que a cirurgia convencional
  • Necessita estrutura específica e equipe treinada
  • Pode ter custo mais elevado, dependendo do caso

Mesmo com esses pontos, para muitos pacientes, os benefícios superam amplamente as limitações.


Considerações finais

A cirurgia micrográfica de Mohs representa o padrão ouro no tratamento de determinados cânceres de pele, especialmente em áreas delicadas ou em tumores de maior risco. Quando bem indicada, ela alia segurança oncológica, preservação estética e excelente taxa de cura.

Se você recebeu o diagnóstico de câncer de pele ou possui uma lesão suspeita, a avaliação individualizada é fundamental para definir a melhor estratégia de tratamento.

Diagnóstico precoce traz os melhores resultados.
👉 Agende sua consulta para uma avaliação especializada.